Introdução

Mãe de 3 filhos (Rodrigo, Philippe e Fernanda), avó (quatro netas: Eduarda, Mirela, Luna e Laura), Supervisora Educacional, Profª aposentada de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira; Pedagoga e Pesquisadora, Graduada em Letras e Pedagogia e Pós-Graduada (Especialista em Língua Portuguesa e Iniciação Teológica); Mestre em Letras e Ciências Humanas. Trabalho muito, estudo bastante, adoro pesquisar, ler boas obras; folhear jornais e revistas, assistir telejornais; viajar, ir ao Shopping, utilizar a Internet. Crio algumas "quadrinhas", gosto de elaborar projetos que não sejam engavetados.

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terça-feira, 6 de julho de 2010

Análise de discurso crítica: representações sociais na mídia

Denise Elena Garcis da Silva (UnB)
Viviane Ramalho (UnB/UCB)

I-                    Introdução
Situar a análise do discurso crítica (ADC) na esteira dos estudos do discurso que, hoje, recobrem uma gama variada de propostas teóricas, implica a necessidade de resgatar o início de uma trajetória que reuniu cinco estudiosos, cujas ideias se coadunaram no eixo dos aspectos sociais da linguagem. Em lugar de privilegiar uma discussão acadêmica voltada tão-somente para questões de natureza lingüístico-discursiva, o grupo decidiu considerar, como ponto de partida, problemas sociais predominantes, privilegiando uma perspectiva em favor dos  desfavorecidos, em contraste com aqueles que detêm o poder. A linguagem passa, a partir de então, a ser cada vez mais enfocada como prática social e o discurso como um objeto historicamente produzido e interpretado em termos de sua relação com estruturas de poder e ideologia.
O referido grupo, formado por Gunther Kress (Universidade de Londres), Norman Fairclough (Universidade de Lancaster), Teun van Dick (Universidade de Pompeu Fabra), Theo van Leeuwen (Universidade de Artes de Londres/Faculdade de Comunicação de Londres), Ruth Wodak (Universidade de Viena; Universidade de Lancaster), havia se reunido, pela primeira vez, por ocasião de um simpósio celebrado em Amsterdã, em janeiro de 1991. Durante dois dias, os cinco pesquisadores discutiram teorias e métodos, voltados de modo especial para uma abordagem nova que se fortalecia, naquele momento, na esteira da Linguística Crítica.
A partir desse evento, que reuniu, no dizer de Wodak, o “grupo científico dos iguais”, a Critical Discourse Analysis (CDA) começa a florescer na Europa e chega ao Brasil, em 1993, pelo trabalho pioneiro de Izabel Magalhães, na Universidade de Brasília (UnB), com a sigla de ADC, o que marca a entrada do “grupo de Brasília” no cenário dos estudos do discurso voltados para uma linguística crítica. Em maio de 1998, durante três dias, Fairclough participou na UnB, juntamente com Kanavillil Rajagopalan (UNICAMP) e pesquisadores brasileiros, do III Encontro Nacional de Interação em Linguagem Verbal e Não-Verbal (III ENIL), cujo tema central, Análise de Discurso Crítica, privilegiou debates voltados para uma concepção de educação como prática social transformadora. Nas trilhas do pensamento de Paulo Freire (1983), buscou-se questionar problemas existentes na realidade brasileira, bem como apontar mecanismos para sua superação.
Assim é que a ADC, desde suas origens como escola (CDA), traça como escopo central o incentivo à pesquisa lingüístico- discursiva voltada para causas sociais em favor das minorias. Propõe investigações que configurem a busca de soluções para problemas decorrentes de discursos que envolvem questões de educação, letramento, bem como assimetrias de poder, de gênero social e de hegemonia, entre outros, razão pela qual estimula estudos que envolvam desde discursos institucionalizados, de âmbito educacional, religioso, político, econômico e midiático, até os que envolvem relações implícitas e explícitas de lutas de classe, conflitos interéticos e de discriminação, tais como o racismo. Constitui, assim, uma corrente teórica que se caracteriza como uma forma de pesquisa social e, como tal, equivale a uma prática teórica crítica, principalmente porque leva em conta a premissa de que situações opressoras podem ser mudadas, uma vez que decorrem de situações sociais passíveis de ser transformadas socialmente. Mas a ADC  não configura apenas uma proposta de caráter multidisciplinar, voltada para questões sociais, uma vez que se constitui também como método de análise.
Apresentaremos, nesse artigo, uma das perspectivas teórico-metodológicas da ADC, assinada por Lilie Chouliaraki e Norman Fairclough (1999). De início, sumarizamos alguns conceitos que consideramos relevantes na proposta dos dois autores, tais como prática social, ideologia e crítica explanatória, os quais podem subsidiar estudos críticos de discurso hoje. Em seguida, ilustramos a aplicabilidade desse suporte científico com exemplos de duas pesquisas que desenvolvemos na UnB, com enfoque analítico voltado para a representação, categoria que nos permite descrever e interpretar finalidades e legitimações das práticas sociais. A primeira pesquisa aqui, brevemente apresentada, tem como objeto de estudo duas realidades – pobreza nas ruas e ruptura familiar – problemas que acentuam a questão social no contexto brasileiro. A segunda, uma tese de doutorado, investiga o discurso da propaganda brasileira de medicamentos e sua relação com questões de poder.
Com a discussão da proposta teórico metodológica mencionada, seguida de exemplos de análise de duas pesquisas, objetivamos ilustrar, ainda que de maneira suscinta, o amplo espectro de aplicações da ADC, não só no que diz respeito às noções gerais oferecidas dentro desse arcabouço teórico, mas também no que tange às categorias de análise textual, voltadas para nossa realidade social, ou seja, o contexto brasileiro.

·         * Essa introdução, e todo o restante do artigo, é encontrada na obra “Análises do discurso hoje”, volume 2/ Glaucia Muniz Proença Lara, Ida Lucia Machado, Wander Emediato (organizadores). – Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2008. – (Lucerna)


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