Introdução

Mãe de 3 filhos (Rodrigo, Philippe e Fernanda), avó (quatro netas: Eduarda, Mirela, Luna e Laura), Supervisora Educacional, Profª aposentada de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira; Pedagoga e Pesquisadora, Graduada em Letras e Pedagogia e Pós-Graduada (Especialista em Língua Portuguesa e Iniciação Teológica); Mestre em Letras e Ciências Humanas. Trabalho muito, estudo bastante, adoro pesquisar, ler boas obras; folhear jornais e revistas, assistir telejornais; viajar, ir ao Shopping, utilizar a Internet. Crio algumas "quadrinhas", gosto de elaborar projetos que não sejam engavetados.

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quarta-feira, 17 de março de 2010

Nossa Língua Portuguesa

Em conversa com amigas, comentávamos sobre a proliferação de cursinhos de Língua Portuguesa, porém, não para estrangeiros que desconhecem o idioma, mas para brasileiros mesmo! Uma delas ficou perplexa e, boquiaberta, questionou: “Como pode uma coisa dessas?"
Fiquei matutando... Meu Deus, realmente...! Esse pessoal vai para cursinho aprender macetes para passar em vestibulares, em concursos e tal. Ficam robotizados, mas na verdade não aprendem nada... É algo automatizado, "embrulha e manda", para efeito imediato, um paliativo. Depois que são aprovados e precisam exercer suas respectivas funções ficam parecendo umas lesmas grávidas, sem iniciativa, e daí o serviço não rende, as coisas não acontecem; até as leis ficam truncadas; as informações não são bem compreendidas!Se não cuidam do próprio aprendizado, vão cuidar do que mais? Lembro algumas frases:

“Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?”

“Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive...”

Se não respeitam o próprio idioma, coitadinho do planeta! Voltamos às máximas do ENEM, que todo ano são comentadas em vários sítios da Internet!

Uma das amigas, que se chama Eliane Bonotto, formada em Biologia e Administração de Empresas, fez Inglês e Aliança Francesa; é também telefonista aposentada da Embratel. Eliane diz que tudo isso é reflexo da inversão de valores absurda que estamos vivendo. E Eliane começa uma tentativa de entender o que vem acontecendo há tempos:
- Isso é fruto de muitas origens... – diz Eliane. - Dos programas medíocres veiculados na TV, a desagregação paulatina das famílias, o consumismo exasperado, a falta de respeito pelo próximo, enfim, a falta de educação de berço.

Ela continua:
- O que eu vejo é o seguinte: Há pessoas que gostam quando as chamam de formadoras de opinião, mas não querem nem pensar em agir, se movimentar, tentar fazer algo para minimizar a situação calamitosa do ensino brasileiro. Mais tarde, serão estas mesmas pessoas que sairão em passeatas pela orla do Rio com camisetas pretas para exigir providências dos governantes. Mas que governantes? Governo não é aquela instituição que serve para eles reclamarem ad nauseam?

Quem é essa elite que forma opinião? É um bando de gente que só sabe rezar o Pai Nosso até o "venha a nós", porque ao "vosso reino, nada". Gente vazia, omissa, com medo de dizer o que pensa verdadeiramente. Um bando de bajuladores do que ou de quem estiver no poder.

Eliane prossegue: "Aí, eu te pergunto: quando o pessoal entra na universidade 'esquece' a língua portuguesa? Alguns calouros do curso de engenharia ou de física dirão que a língua portuguesa não lhes é tão importante quanto a matemática. Muito bem, então eles podem também se dar ao luxo de descartar a geografia, a história, a química. É isso?

Por que um aluno de letras não deixa de lado a matemática? Porque ela está presente em todos os dias das nossas vidas? Perfeito. E a língua portuguesa, não está"?

Eliane ainda me diz:

- Terezinha Fatima, essas apostilas de um "cursinho" de português para brasileiros analfabetos funcionais é a negação de todo o seu trabalho e dedicação, assim como o de suas colegas de profissão. O que fazer, então com estas pessoas? O mesmo MEC que deixou passar a aprovação automática de alunos é que deveria saber.O que me preocupa é, se estes cursos estão funcionando naturalmente, é porque está aprovado pelo MEC, correto? Então, vamos sucatear a educação no país, mais do que ela já está esmagada de tantas pancadas para, em seguida, proliferarem Brasil afora, cursinhos de matemática, história, geografia, será isso?

Ou ainda, para que um aluno vai se preocupar em freqüentar as salas de aulas na escola, normalmente, se mais tarde, caso ele precise, basta pagar um cursinho de determinada matéria?

Comentei, então:

- Eliane e demais amigos que venham a ler esse tópico,

Lamentavelmente, a qualidade do ensino vem sendo prejudicada em inúmeros aspectos. Sob a alegação de que é antididático cobrar-se leitura e dar nota, fazer prova de livros de literatura infanto-juvenil, fazer testes de conteúdos gramaticais e tantas outras "inovadoras", psico isso e aquilo, formas de ensino-aprendizagem, quem perde é a educação de qualidade. Só se observa a quantidade. Discursa-se uma coisa e age-se de outra forma completamente contrária. Há uma "falsidade" contaminando os ambientes que deveriam ser de formação de valores de vida. Por isso, decepcionamo-nos e isso é ruim. Ruim para o exercício da profissão, ruim para nossa mente, nossa formação de pessoa humana... Mas, na qualidade de profissionais que somos, temos consciência de que o Brasil precisa enfrentar esse desafio do analfabetismo funcional, que é um fato. Isso não é culpa da "escola da Tia Teteca", tal qual dizem uns debochados, metidos a hilários. Como se isso fosse brincadeira.

O chamado analfabetismo funcional, que atinge 25% da população com mais de 15 anos, de acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),em geral, define aquele que lê e escreve frases simples, mas não é capaz de interpretar textos e colocar idéias no papel. Não sou eu, a Terezinha Fatima, que está dizendo isso. Está em qualquer fonte competente que pode ser acessada.

O IPM, que é um braço do Ibope, criou em 2001 o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), em parceria com a organização não governamental Ação Educativa. O índice mede os níveis de analfabetismo funcional na população entre 15 e 64 anos. Para isso, de dois em dois anos, são aplicados testes e questionários para + ou - duas mil pessoas em todas as regiões do País.

O ENEM tem revelado absurdos apavorantes. Parecem piadas, mas infelizmente ocorrem...
Apresento alguns exemplos extraídos do Enem 2009 que teve, na redação, a proposta de candidatos escreverem sobre Aquecimento Global e, como acontece todo ano, não faltaram " preciosidades ". Eis algumas:


1) “o problema da Amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já se estalaram na floresta.” (percussão e estalos. Vai ficar animado o negócio)

2) “A amazônia é explorada de forma piedosa.” (boa)

3) “Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar planeta.” (tamo junto nessa, companheiro. Mais juntos, impossível)

4) “A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu.” (e na velocidade 5!)

5) “Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta.” (pra deixar bem claro o tamanho da destruição)

6) “O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação.” (pleonasmo é a lei)

7) “Espero que o desmatamento seja instinto.” (selvagem)

8 ) “A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo.” (o verdadeiro milagre da vida)

9) “A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta.” (emocionante essa)

10) “Tem empresas que contribui para a realização de árvores renováveis.” (todo mundo na vida tem que ter um filho, escrever um livro, e realizar uma árvore renovável. E o plural?)
11) “Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas.” (esqueceu que também ficam sem o home theater e os dvd’s da coleção do Chaves)

12) “Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna.” (amém)

13) “Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza.” (e as renováveis?)

14) “A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica.” (deve ser culpa da morte ecológica)

15) “A amazônia tem valor ambiental ilastimável.” (ignorem, por favor)

16) “Explorar sem atingir árvores sedentárias.” (peguem só as que estiverem fazendo caminhadas e flexões)

17) “Os estrangeiros já demonstraram diversas fezes enteresse pela amazônia.” (o quê?)

18) “Paremos e reflitemos.” (beleza)

19) “A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não autorizadas.” (onde está o Guarda Belo nessas horas?)

20) “Retirada claudestina de árvores.” (Credo!)

21) “Temos que criar leis legais contra isso.” (bacana)

22) “A camada de ozonel.” (Chris O’Zonnell?)

23) “a amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor..” (a solução é colocar lá o pessoal da Zorra Total pra cortar árvores)

24) “A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas, sem coração.”(para fabricar o papel que ele fica escrevendo asneiras)

25) “A amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo desmatamento devastador, intenso e imperdoável.” (campeão da categoria “maior enchedor de lingüiça)

26) “Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação.” (NÃO!)

27) “Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários xises.” (gênio da matemática)

28) “A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos
governantes” (red bull neles – dizem as árvores)

29) “O povo amazônico está sendo usado como bote xpiatório” (ótima)

30) “O aumento da temperatura na terra está cada vez mais aumentando.” (subindo!)

31) “Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões, ursos, etc.” (deve ser a globalização)

32) “Convivemos com a merchendagem e a politicagem.” (gzus)

33) “Na cama dos deputados foram votadas muitas leis.” (imaginem as que foram votadas no banheiro deles)

34) “Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da froresta Amazônia” (oh, My God)!

35) “O que vamos deixar para nossos antecedentes?” (dicionários)

36) - Lavoisier foi guilhotinado por ter inventado o oxigênio. (Já imaginou?)

37) - A harpa é uma asa que toca. (Imagine a definição para Trombone de Vara...)

38) - O vento é uma imensa quantidade de ar. (Não tinha pensado nisso...)

39) - O terremoto é um pequeno movimento de terras não cultivadas.
(Só faltou completar que esse movimento é um braço armado do MST!)

40)"O nosso am biente ele estava muito estragado e muito poluido por causa que, os outros não zelam pelo ar puro." (Esse deve lembrar disso sempre que está no Show do Planet Hemp)

41)"O serumano no mesmo tempo que constrói também destrói, pois nos temos que nos unir para realizarmos parcerias." (Nossos encontros e desencontros, Meu Deus!)...

42)"Vamos mostrar que somos semelhantemente iguais." (Leia a Bíblia...)

43) "...agir de maneira inesperável." (Háaa gente! Esse foi por pouco né?)

44) "...eles matam não somente aves mas também os desmatamentos de animais também precisam acabar."

45) "morrem queimados e asfixiciados." (Esse é um jumento, mas tem coração!)

46) "Hoje endia a natureza..." (Pelo menos ele não usou m, e sim n, porque m só antes de p e b, não é mesmo? Muito bem!)

47) "No paíz enque vivemos, os problemas cerrevelam..." (Outro erro acertado, ele usou 2 erres! Muito bem!)

48) "...menos desmatamentos, mais florestas aborizadas." (Concordo! De florestas não arborizadas, basta o sertão nordestino!)

49) "...provocando assim a desolação de grandes expécies raras." (Voces não sabiam que os animais também tem depressão? Quanto ao resto, não tem como justificar!)

50) "O que é de interesse de todos nem sempre interessa a ningém individualmente." (Senhor...)!

Parece incrível, mas é verdade...

Após uma aula expositiva, com exemplos, parte lúdica, chamando alunos ao quadro, etc...Eu passei no quadro uma frase, mais ou menos como a que segue, para que os alunos justificassem o uso dos porquês:

*Por que há alunos que não questionam quando não sabem o porquê de algum fato de nossa língua? Porque muitos preocupam-se com colegas que riem das perguntas dos outros. Mas, quem ri não pergunta nunca. Por quê?

Eis algumas respostas que recordo:

- Alguns colegas gostão de zuar. (sic)


- A professora fez pegadinha.


- Os que mais riem são fulanos e beltranos. (Elencaram lá os nomes dos colegas)!

Bem, houve os que acertaram, mas ocorrem sempre problemas quanto aos alunos que têm maiores dificuldades,nunca entendem o enunciado e respondem "abobrinhas". Falta leitura; observar bem os comandos dos verbos, ou seja, o que exatamente está sendo pedido na questão; ler com calma... Também falta vocabulário e, por causa de uma palavra que desconheçam o significado, a questão fica difícil para o aluno entender o que deverá ser respondido; falta mais concentração, interesse, seriedade, compromisso; falta exercitar mais a escrita... Enfim, faltam várias capacitações, atitudes, hábitos de estudo e pesquisa.

Uma outra amiga, chamada Eneida, formada em Jornalismo, disse o seguinte:

- A existência de cursinhos "quebra-galho" não irá piorar a situação do ensino da língua portuguesa. O ensino já vem decaindo há muitos anos e o problema é que nenhum governo se preocupa de verdade com isso. O vestibular não é uma medida eficaz de conhecimento.
Lembro que na minha época passávamos os três anos do Científico sendo adestrados para a prova, decorando e treinando a utilização de cartões utilizados para a prova.
Uma amiga que sabia muito bem português e todas as outras matérias não foi aprovada.
Ela tentou Agronomia e, na ocasião, havia uma Lei que favorecia os filhos de fazendeiros.
Muitos na minha sala da faculdade de Comunicação cometiam erros graves de português, inclusive de ortografia. E olha há quanto tempo faz isso. Portanto, essas falhas não vêm de agora. é um processo que está aumentando, sem dúvida, mas sempre houve as tais dificuldades.
Tive um colega que uma vez discutiu com a professora porque ele não via necessidade de aprender português pois o "negócio dele era apertar botões˜.
Não sei se é uma falha só do governo e se falta também à maioria da população interesse em aprender.
Digo isso porque tinha um japonês que sempre comentava comigo que depois da 2* Grande Guerra, os japoneses comiam ração de galinha e investiam o máximo em educação. Então, infelizmente, essa situação que o nosso país vive em relação a Língua Portuguesa pode ser uma questão de mentalidade e que esteja se agravando com o passar do tempo.

Ao que Eliane acrescenta:

Eu concordo com seu conhecido japonês. É uma questão de mentalidade. Para qualquer governante, isto seria passar atestado de incompetência. Uma vergonha. O grande problema é que para eles (os governantes)... Que venham os atestados de incompetência, pois eles têm outros interesses.

Fico pensando se esta situação fosse em Paris. Eu aposto que haveria passeatas, protestos e tudo a que se tem direito. Aqui no Brasil, a elite, formadora de opinião, aplaude a iniciativa desses cursinhos. Eu posso com isso? Pára o mundo que eu quero descer.

Outra amiga, chamada Marilda e que é Professora de Geografia, comentou o seguinte:

- Os donos de cursos, provavelmente, perceberam a mina que são esses preparatórios para concursos e analisaram a grande falha dos candidatos: o próprio idioma, o Português. Então, trataram de pegar logo uma fatia para eles. Isso não precisaria acontecer se o ensino fosse levado a sério nesse país. Mas, como já sabemos, não interessa ter seriedade, nem em Educação nem em Cultura.

Ao que eu questionei:

- Por que não há seriedade? Estamos de pés e mãos atados? O que acontece com a nossa educação? Em nossa época as escolas, tanto públicas quanto particulares, tinham melhor qualidade de ensino. Somos "saudosistas" e alienados? Evidentemente que não! O que mudou? Há pouco investimento na Educação, professores mal remunerados, carga horária de trabalho intensa e "tensa", com poucas atividades e incentivos à formação continuada e grande “permissividade” para os alunos em relação às regras de melhores atitudes comportamentais e práticas cidadãs. Quando eles vão aprender melhor? Quando forem conscientizados sobre a importância dos estudos para a vida. Muitos, por imaturidade, só reconhecem isso quando buscam passar em Vestibular ou colocação no mercado de trabalho. Por isso, proliferam os tais cursos... Em nossa época já havia alguns cursos preparatórios. Penso que o Tamandaré e o Martins são bem antigos (não chequei essa impressão no Google). Se não houver cursos para suprir deficiências de base, (para que esses alunos tentem concursos) sejam por culpa de alunos desinteressados, imaturos ou até mesmo de professores irresponsáveis, sem senso de profissionalismo ou de direção incompetente de muitos colégios, eu me pergunto: quando esses “alunos defasados” terão oportunidade de sanar pelo menos algumas deficiências? Não concordo com cursos que aparecem em cada esquina, mas se houver uma gestão segura, idônea, boa administração... Pode ser uma alternativa.

Uma inquietação comum a todas que participam desses questionamentos: Os pais de hoje educam?

Houve unanimidade em dizer que os próprios pais estão deseducando os filhos. Se o professor exige o cumprimento das tarefas de casa, os pais vão à escola justificar que a criança está sendo sobrecarregada de atividades que os professores passam e que a impedem de ser criança. Que não podem deixar de frequentar o inglês, a natação, o judô ou balé, o violão, piano/teclado, OS CURSINHOS...

Ao que eu completo:

...A fono (dislexia, disgrafia...), o psicopedagogo (déficit de atenção), o terapeuta/psiquiatra (tda/h/i, etc...), a explicadora, o psicólogo (pais brigando ou separados). Vivemos preenchendo relatórios para neuropsiquiatras de renome... Em nossa época isso não acontecia. Nunca tive nenhum acompanhamento pelo fato de não conhecer pai, morar com avó, não ter feito jardim de infância... Estudei em excelentes escolas públicas (primário e ginásio) e fui sempre uma das primeiras alunas da turma. Até mesmo no segundo grau, quando fui estudar num colégio de freiras, onde estudava a elite. Certamente está acontecendo algo muito grave com a educação atual.

Alguns Teóricos e o que dizem:

“[...] toda nota deveria poder ser discutida e refeita, dentro – é claro – da contra-argumentação do aluno e dos prazos possíveis”. (Pedro Demo);

“Às vezes o professor tenta mudar a avaliação, mas não muda a metodologia, e aí entrava seu trabalho. Outras vezes ele muda a metodologia, mas não muda a avaliação. Às vezes ele trabalha com projetos, com tema gerador, em grupos, e, na hora de fazer a avaliação, aplica a prova tradicional. Aí o aluno percebe que toda aquela dinâmica da sala de aula não vale nada, o que vale é a prova." (Celso Vasconcelos);

“Aprender é sempre uma aventura excitante e espera-se que o professor seja o primeiro entusiasta do seu trabalho mediador. Quem ama o que faz acaba inventando uma maneira de contagiar outros com o seu amor". (Isabel Parolin);

“O Mestre que só transmite informações e conteúdos sem significá-los ou, não significativos para o tempo do aprendiz, não tem valor para a vida humana, para construção de sentimentos, de solidariedade, de cidadania. Para ser respeitado e lembrado deve formar pessoas e para isso o conteúdo é apenas pano de fundo, verdades provisórias que amanhã poderão deixar de ser verdades. O que hoje o Mestre ensina, amanhã poderão ser falsas verdades que causaram reprovações humanas."
(Claudio Castro Sanches)

A "culpa" é d@ Professor@...

Especialmente de Língua Portuguesa, é o que ouvimos... Se há "erros" de Português significa que os mestres que atuam nessa área não estão "puxando" pela ortografia, passam poucas redações, não incentivam adequadamente ao prazer da leitura, marcam os erros dos alunos de caneta vermelha e isso os traumatiza e bloqueia a aprendizagem, passam poucas tarefas de casa, são escravos do livro didático, não contextualizam o ensino, não corrigem os cadernos com frequencia, chamam poucas vezes ao quadro, só deixam os alunos mais inteligentes opinarem, fazem muitos debates em sala de aula e perdem o manejo de classe (alunos ávidos em participar significa "bagunça" para alguns); ou fazem poucos debates e o aluno não tem voz nem vez, etc, etc...
Tudo o que se faz sempre estará errado, dependendo da "linha" que seguem alguns colégios, diretores, coordenadores,orientadores pedagógicos, serviço de orientação educacional, mestres de turma, conselhos de pais, supervisores, pais de alunos nas reuniões, explicadores particulares dos alunos, os terapeutas, etc, etc...
Há muitos caciques para poucos índios e bastante paternalismo em relação aos alunos. Por isso, cada vez mais a educação fica "capenga". Há uma infinidade de gestores disso e daquilo inventando métodos inovadores, mas essas pessoas em geral jamais puseram os pés numa sala de aula e vivem "inventando moda". Estão aí os resultados: proliferam os cursinhos. Talvez sejam eles os donos, os administradores/gestores, visando uma estratégia cada vez mais rentável de se "dar bem nos negócios, ter empreendedorismo" às custas do déficit dos outros, que eles próprios engendraram. Eis um círculo vicioso e nós estamos nessa roda-viva, sobrevivendo sabe Deus como!


Seria bom que...
Houvesse maior incentivo à leitura e ao discernimento. Que as pessoas soubessem argumentar, desenvolver opiniões fundamentadas em reflexões... Analisassem melhor os discursos, especialmente em épocas de campanhas eleitorais... Buscassem
entender as intencionalidades... Enfim, interagissem mais em seus espaços de vida, tivessem mais senso crítico, ouvidos atentos às experiências dos outros... Vive-se numa correria desesperada e vê-se pouco quem está ao lado. Aliás, vemo-nos pouco a nós próprios, isso é péssimo para a autoestima. As coisas ocorrem e as pessoas agem como se estivessem alheias, abduzidas, robotizadas. Parece que decoraram uma frase, apertam a tecla e só repetem o mesmo refrão. Falta ouvir mais, analisar as situações, respeitar individualidades... Usa-se pouco a linguagem para desenvolver uma comunicação efetiva. Escreve-se pouco... Precisamos exercer melhor nossa cidadania, nosso idioma, nossas opiniões...

Eliane, então, comentou o seguinte:

- Terezinha Fátima, você disse tudo neste último post. Esse é o resumo perfeito do que falta em aulas de qualquer matéria.

Ensinar o aluno a pensar, a raciocinar, analisar, discutir, "desenvolver opiniões
fundamentadas em reflexões", aqui você foi brilhante! É isso que falta. Mas não sei se posso comparar os professores formados há 10, 15 anos com professores como você ou a Marilda, que se formaram na época áurea do nosso ensino.

Não sei se os professores de hoje, você saberá dizer melhor do que eu, certamente, estão preparados para ensinar essas reflexões a seus alunos, se eles próprios talvez não saibam refletir. Só não entendi uma coisa, Terezinha, "entender as intencionalidades"... rsrsrs
Que são intencionalidades? Não seriam as intenções? Ou será que há alguma diferença e eu não sei?

INTENCIONALIDADES NAS PRÁTICAS DISCURSIVAS

- É intencionalidade mesmo, Eliane. Esse termo nós empregamos mais na análise crítica do discurso. É algo que está um pouco mais além da intenção. Quando na propaganda, por exemplo, do "Danoninho que vale por um bifinho". Obviamente, as mães entendem que a intenção do anunciante é vender o produto e ela vai e compra. Terminaria aí. Mas, a intencionalidade, que pode também ser uma "inferência interdiscursiva" ocorre quando o sujeito interpretante é levado a mobilizar um saber pré-construído ou memória conceitual. Nós sabemos que um danoninho pode até alimentar uma criança, mas a fórmula dele não contém as mesmas propriedades de um bife exatamente (acionar conhecimentos correlatos, o valor nutricional de alimentos, etc). Um "danoninho" não substitui a refeição adequada para a criança! Quando falamos nessa intencionalidade, e sempre procurávamos fazer o aluno investigar melhor até mesmo esses apelos das propagandas comerciais, é despertar o espírito crítico investigativo. Aguçar o conhecimento, manifestar a dúvida e ir mais a fundo nas questões; não basta apenas saber qual é a intenção e pronto, acabou. Mas, o que ainda há por trás dessa intenção. Ou seja, além da intenção, que outros propósitos poderiam surgir? A Linguística Aplicada cuida dessas análises críticas.

Livro didático

Eu utilizei desde 1993, quando foi lançada, uma coleção didática intitulada Português: Linguagens. Essa obra didática aborda interpretações textuais que avançam para a análise crítica do discurso, as intencionalidades discursivas. Muitos professores não gostam da obra porque dá trabalho aprofundar-se em determinadas questões. Também os alunos gostam muito de opinar e perguntar e, professores que não gostam de alunos questionadores, cortam logo o assunto e "pulam" esses tipos de questões.



Você, Eliane, seria (sem dúvida) uma das alunas que levantariam o dedo e desejariam entender melhor o assunto proposto. Certamente, a classe se beneficiaria com um estudo mais detalhado a partir da sua dúvida. Mas, o professor que não gosta de aprofundar-se em nada e quer correr com a matéria (jogada, cuspe e giz) faria de conta que nem viu o seu dedinho e seguiria em frente, rsrs! Vários professores agem assim. Só enxergam um ponto, o contracheque no final do mês e são teleguiados. Se a supervisão passa no corredor e vê os alunos só escrevendo, nem se preocupam se eles estão fazendo "cópia da lição". O importante é estar de boca fechada, rsrs!

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