Introdução

Mãe de 3 filhos (Rodrigo, Philippe e Fernanda), avó (quatro netas: Eduarda, Mirela, Luna e Laura), Supervisora Educacional, Profª aposentada de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira; Pedagoga e Pesquisadora, Graduada em Letras e Pedagogia e Pós-Graduada (Especialista em Língua Portuguesa e Iniciação Teológica); Mestre em Letras e Ciências Humanas. Trabalho muito, estudo bastante, adoro pesquisar, ler boas obras; folhear jornais e revistas, assistir telejornais; viajar, ir ao Shopping, utilizar a Internet. Crio algumas "quadrinhas", gosto de elaborar projetos que não sejam engavetados.

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domingo, 2 de agosto de 2009

"Grauninha"


Muito interessante a tirinha publicada no Jornal “O Globo”, datado de 31 de julho de 2009.
Mais uma da “graúna”, uma ave magrinha, mas muito expressiva e combativa. Para quem não conhece, ela foi criada pelo cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil (1944-1988), com a proposta de discutir os problemas sociais, políticos e econômicos pelos quais passava (?) o Brasil dos anos 1970. O cenário é uma caatinga, aspecto desolador, com cactos que configuram as características áridas do lugar, uma alegoria à escassez e ao abandono. O genial é que, com pouquíssimos traços, o cartunista conseguiu dar vida a essa ave e outras personagens que aparecem na tirinha, entre elas, um cangaceiro-macho-lutador”, porém dado a gestos carinhosos, de nome Zeferino.
Hmmm, mas vamos à tirinha a qual me referi antes... O cangaceiro anuncia num megafone (e, no quadro há a presença de uma personagem encurvada e triste). No texto, as palavras do cangaceiro são: “Após 26 dias sem comer, virou branca! Santinha Grauninha cura ou seu dinheiro de volta! A tal personagem que vem chegando com seus ais-ais aproxima-se da Santinha Grauninha e se queixa: “Valhei-me (sic), Santinha! Quero chorar, não tenho lágrimas”... O gaiato é visualizar, no 3º quadrinho da história, que a graúna e a grauninha saracoteiam logo numa dancinha e cantam: “Que me rolem na face, pra me socorrer! Se eu chorasse, talvez desabafasse...” E, em conseqüência, no 4º quadrinho, a personagem, antes tristonha e aniquilada, começa a dançar e cantar, hilariantemente, também: “O que sinto no peito e não posso dizer. Só porque não sei chorar eu vivo triste a sofrer!”No último quadrinho, a personagem, antes altamente sofrida, sai esfuziante de alegria, dizendo: “É um barato essa nova liturgia!!! - sob o olhar sonso e irônico da graúna e grauninha, envolvendo-nos, os leitores, no “estado de espírito e do humor” delas, tracinhos de uma historinha em quadrinhos...
O que considerei também curioso é que há muito tempo eu tenho essa mania. Quando alguém fala algo que ao final lembra uma música, eu emendo cantando. No caso do “valhei-me”, por exemplo, eu já pensaria na música “Flor de Lis”, de Djavan:
“Valei-me Deus, é o fim do nosso amor
Perdoa por favor, eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei
Eu só sei que amei, que amei, que amei, que amei
Será, talvez, que minha ilusão
Foi dar meu coração com toda força
Pra essa moça me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz de uma flor de lis
E foi assim que eu vi nosso amor na poeira, poeira
Morto na beleza fria de Maria
E o meu jardim da vida ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu”

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