Introdução

Mãe de 3 filhos (Rodrigo, Philippe e Fernanda), avó (quatro netas: Eduarda, Mirela, Luna e Laura), Supervisora Educacional, Profª aposentada de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira; Pedagoga e Pesquisadora, Graduada em Letras e Pedagogia e Pós-Graduada (Especialista em Língua Portuguesa e Iniciação Teológica); Mestre em Letras e Ciências Humanas. Trabalho muito, estudo bastante, adoro pesquisar, ler boas obras; folhear jornais e revistas, assistir telejornais; viajar, ir ao Shopping, utilizar a Internet. Crio algumas "quadrinhas", gosto de elaborar projetos que não sejam engavetados.

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Notícias

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Bullying no trabalho

O Bullying no trabalho é mais rotineiro do que parece. É um assunto muito importante e merece ser mencionado e investigado à exaustão. No local de trabalho, embora meio de pessoas adultas, também existe esta degradante prática de comportamento, porém, de forma diferente daquela em que discentes agridem uns aos outros ou aos professores, por exemplo.
Na maioria das vezes, o adulto que pratica Bullying no local de trabalho, é de tal sutileza que a pessoa só se dá conta depois de algum tempo. Muitas pessoas têm esta experiência que afeta emocionalmente. É recomendado os setores de RH criarem um programa de "segurança pública" nas instituições. Geralmente, quem pratica o Bullying o faz de maneira tão disfarçada que até a voz desse “lobo” se assemelha a de “cordeiro”, como se fosse a mais cândida das criaturas. Por vezes, usam até a religião para se protegerem e passarem por “santinhos” diante, e especialmente, dos superiores (quando não são um deles; pois, "superiores" também podem ser os praticantes), livres de qualquer suspeita. Na verdade, são pessoas perigosas que, por grande frustração pessoal desforram-se, especialmente, nas pessoas que têm o que o praticante dessa perversa prática almejaria ter. É como se fosse uma inveja de dimensões extra-sensoriais, mas maldosamente tecida de forma que dificilmente outras pessoas, além da vítima, seriam capazes de perceber. Se a vítima queixar-se a alguém, pode até ser mal interpretada e passar como "promotor de desavenças" no local onde exerce sua profissão. É algo tão perigoso e, ao mesmo tempo, sutil que nem se sabe determinar quem seria o réu ou quem seria a vítima (relembre novelas, filmes, livros, notícias de jornal ou situações que você já viveu, conviveu ou teve notícias) .

# Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully – valentão) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir a vítima. 

# Bullying Esse comportamento deplorável encontra-se em variados grupos sociais: escolas, ambiente de trabalho, condomínios residenciais, igrejas (pasmem!), etc... 

Às vezes, o bullying vem mascarado em forma de elogio, de maneira que alguém de fora não identifica o sarcasmo. Outras, a vítima é envergonhada publicamente pelo bully. Os bullies são diabolicamente criativos. 

# Causas - Consequências do bullying –carência e falta de: 

- limites, auto-estima , receber elogios, desejar-se respeitado em seu meio, família, amadurecimento, respeito, humildade, sentir-se verdadeiramente amado, necessidade de auto-afirmação, desejo da sensação de poder, desejo de pertencer a um grupo, mesmo que em seu “isolamento mental” (grupo dos agressores), autocensura e, por isso, repetir atos de violência de que já foram vítimas, etc. O bullying pode ser do tipo verbal, físico, emocional, e virtual.

# VERBAL = os agressores utilizam apelidos constrangedores, espalham calúnias ou fazem piadas com características físicas ou comportamentais da vítima. 

# FÍSICO = quando ocorrem agressões físicas repetitivas como tapas, chutes, empurrões, etc. Neste caso, ainda que as agressões não causem lesões graves, elas têm o intuito de humilhar a vítima, fazendo com que se sinta frágil e inferior. 

# EMOCIONAL = quando, por meio de fofocas e mentiras, a vítima é colocada em situação constrangedora ou de exclusão social.
  Por exemplo: Imagine-se um grupo de profissionais. Há uma reunião entre eles. Os líderes, que conduzem a reunião, ficam “alfinetando”, o tempo todo, a pessoa que eles (os líderes) escolheram para prejudicar. Aliás, os líderes nem queriam que aquela pessoa estivesse presente à reunião... A intenção deles é tirar essa pessoa do caminho, pois acham que, de alguma forma, a pessoa prejudica os sórdidos planos dessa tal “equipe de profissionais”. Apenas a pessoa agredida, na maioria das vezes, é quem sabe que está sendo o alvo das chacotas e das críticas, disfarçadas pelo “covil”. A fala do “covil” soa como “coerente” e do bem, de modo que, se a pessoa (que sabe que está sendo agredida de maneira disfarçada) reagir, é logo taxada de “psíquica”. Os agressores comentam, penalizados:
“- Gente, essa pessoa tem que se tratar... Ela está muito fragilizada, sensível demais... Coitada! Deve ser excesso de trabalho. Precisamos, para o bem dela, afastá-la das atividades, pois ela está surtando...”

# VIRTUAL = Também se fala muito no cyberbullying, quando a difamação e as ofensas são praticadas por meio da INTERNET, em sites de relacionamento, por e-mail, etc. 

* As causas em site de relacionamentos “virtuais” 

As causas do bullying "virtual" são as mesmas das do bullying "real": desejo de sensação de poder por parte dos agressores, desejo de pertencer a um grupo (grupo dos agressores); etc. 

# O bullying e as conseqüências negativas: 

No ambiente escolar, e trabalho, causa um clima de insegurança e medo. 

* Combater a prática de bullying 

Para ajudar a combater a prática de bullying deve-se apoiar as vítimas para que denunciem os abusos sofridos, além de repreender e penalizar os agressores. 

E ajudar as vítimas do bullying ,  a desenvolverem sua auto-estima e sua estrutura emocional.


domingo, 19 de junho de 2011

Um evento muito importante para mim

Fotos do II COLÓQUIO DE ANÁLISE DE DISCURSO CRÍTICA 

E LINGUÍSTICA SISTÊMICO-FUNCIONAL


O II Colóquio em Análise de Discurso Crítica 
e Linguística Sistêmico-Funcional foi um sucesso. 
Confira algumas fotos abaixo!










Agradeço imensamente a todos os professores e 
alunos envolvidos nesse evento
na Universidade Federal de Uberlândia,
aos 12 de abril de 2011!
Todos foram bastante receptivos e acolhedores. 
Fica para sempre essa recordação
maravilhosa em minha vida!  


Links interessantes sobre vida acadêmica e um exemplo de roteiro avaliativo

http://www.posgraduando.com/humor/estilos-musicais-para-cada-etapa-da-vida-academica

http://www.posgraduando.com/humor/voce-sabe-que-esta-na-pos-graduacao-quando

http://www.posgraduando.com/debate/as-dificuldades-de-compreender-a-contribuicao-de-cada-um-dos-autores-de-um-artigo-cientifico


Roteiro de Avaliação dos Artigos *

Análise de Artigo Científico
Sim
Não

Em Parte
Formatação, Estrutura e Correção Gramatical: O artigo atende a formatação exigida? O texto apresenta –se bem dividido, com Resumo, Introdução, Revisão Teórica, Estado da Arte, Apresentação do estudo, Metodologia, Resultados e Conclusões? O texto não apresenta erros ortográficos ou gramaticais?



Título:
O título descreve a essência do artigo? É curto?



Resumo:
O resumo não excede 200 palavras? Especifica de forma concisa o que o autor fez, como fez, os resultados que obteve e a sua importância? Apresenta palavras chave (até 4)?



Introdução: relevância, justificativa e objetivos
A relevância do trabalho para fazer progredir o ‘estado da arte’ e a justificativa da necessidade de efetuar o estudo foram apresentadas? A definição, a natureza e o alcance do problema ou da questão foram apresentados? Os objetivos do estudo são claramente apresentados?



Revisão teórica
O Referencial teórico utilizado está coerente com o problema estudado? As fontes são confiáveis e estão claramente apresentadas? Faz citações?



Metodologia
A estratégia ou metodologia utilizada para resolver o problema ou responder às questões de estudo foi apresentada? Mostra os procedimentos de coleta e análise de dados? Apresenta claramente o tipo de pesquisa, amostra, seleção dos sujeitos, instrumentos de coleta e tratamento de dados e limitações do método?



Desenvolvimento
Relata o caso propriamente dito? Apresenta a instituição envolvida e seu contexto?



Resultados
Os resultados estão claros? Os resultados mais importantes estão realçados? Os resultados estão resumidos em tabelas e gráficos? Os resultados são analisados à luz do referencial teórico?



Conclusões
As conclusões são claras? Os objetivos foram alcançados? As questões de pesquisa foram respondidas? Sugere estudos futuros?



Referências
Obedecem à norma NBR 6023:2002 e NBR 10520:2002? AS referências estão listadas em ordem Alfabética? São apresentadas apenas as referências citadas no texto? Contém bibliografia clássica e referências atuais?




* Este roteiro foi criado com o objetivo orientar os autores sobre os critérios gerais utilizados na avaliação de artigos científicos.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A chave para o bom texto: revisão

As produções dos alunos vão ficar mais claras, coerentes e livres de "erros" gramaticais se você ensiná-los a fazer a autocorreção

* A questão de "erro" é algo que precisa ser repensado.
Alguém já nasceu sabendo?
Estamos coerentes na oferta de ferramentas que realmente sejam úteis às práticas sociais?
Corrigir um texto é marcar de vermelho os "erros" e devolver aos alunos com uma nota?

Maria A. Medeiros (novaescola@atleitor.com.br)
Um texto claro, compreensível, agradável, coerente, enfim, bem escrito é o que todo professor deseja que seus alunos sejam capazes de produzir. No entanto, uma das maiores frustrações para quem leciona Língua Portuguesa é justamente perceber que erros se repetem, apesar do empenho ao corrigir os textos. A causa dessa dificuldade pode estar na forma como é encaminhada a correção. Procedimentos básicos adotados nesse momento podem solucionar o problema.
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TUDO SOBRE
Uma das primeiras práticas a seguir, na avaliação da consultora de Língua Portuguesa Maria José Nóbrega, é fazer a revisão na presença do autor da redação. "Quando a criança recebe um trabalho corrigido, olha a nota e não dá a devida atenção aos erros", comenta.
Igualmente importante é determinar o que corrigir. "Apenas apontar erros ortográficos e gramaticais não é o bastante", afirma Maria José. A gramática não deve ser deixada de lado, mas é preciso considerar vários outros aspectos que contribuem para a qualidade de um texto, como clareza, objetividade, emprego de expressões adequadas ou riqueza de vocabulário. Depois de trabalhar esses pontos em classe, incentive as crianças a incluir a tarefa em sua rotina e revisar, elas mesmas, o próprio texto.

Como aprimorar a redação
Revisar o próprio texto é parte fundamental do processo de escrita. Cabe a você estimular esse hábito e garantir os instrumentos necessários para que cada um assuma a responsabilidade pela tarefa. O segredo é ensinar algumas operações básicas de revisão, como cortar palavras ou trechos excessivos, substituir expressões vagas ou inadequadas, acrescentar elementos para tornar pensamentos mais claros, inverter termos ou sequências para conferir maior expressividade ou organizar mais claramente as ideias. "Por meio dessas práticas mediadas, as crianças se apropriam, progressivamente, das habilidades necessárias à autocorreção", afirma Maria José.

Essa prática traz muito mais benefícios para o aluno do que passar o texto a limpo, após sua correção. "Geralmente eles fazem apenas uma cópia mecânica", diz a consultora.

Oriente os estudantes a distanciar-se de sua produção. Eles devem se colocar na posição de leitores, avaliando se o que foi escrito está compreensível. Trabalhos em dupla, em que um lê o que o outro redigiu, ajudam a estimular esse tipo de percepção.

Um aspecto por vez
Seus alunos devem ser capazes de identificar imperfeições nos textos, refletir sobre elas e buscar soluções. O aperfeiçoamento da escrita vem com o tempo, à medida que a garotada incorpora um bom repertório de recursos lingüísticos. Para tanto, indique regularmente a leitura de bons livros, representativos do gênero que está sendo trabalhado em classe. "Isso funciona como um suporte, fornecendo recursos para a criança criar algo novo e ficar mais atenta no próprio texto", explica Regina Scarpa.

Acompanhe como encaminhar suas aulas para que o grupo se aproprie progressivamente das habilidades necessárias à autocorreção.

• Ao solicitar que a turma faça um texto, garanta as condições didáticas, definindo o tema, o gênero textual, quem será o leitor e qual a finalidade comunicativa do trabalho. Por exemplo: "Vamos produzir uma pequena enciclopédia sobre animais para a biblioteca da escola".

• Na hora da revisão coletiva, transcreva o texto no quadro-negro, mostre-o em transparências ou entregue cópias para todos. Oriente a turma sobre que aspectos precisam ser melhorados naquele momento.

• Fique atento para não escolher um texto que apresente problemas de diversos tipos para evitar desviar a atenção do objetivo proposto. Se seu plano é ajudar o grupo a refletir sobre a repetição de palavras, por exemplo, transcreva o texto a ser trabalhado já sem erros de ortografia.

• Registre e discuta coletivamente as diferentes possibilidades apresentadas pela classe para aprimorar cada trecho. Explique que o critério de escolha da melhor opção deve ser sempre a eficácia comunicativa.

• Garanta que todos tenham acesso a materiais de consulta, como dicionários e gramáticas, e a obras de qualidade que sirvam de modelo.

• Reescreva o texto, incorporando as alterações propostas.

Tarefa de todas as disciplinas
Há quatro anos, o Colégio Marista Arquidiocesano, de São Paulo, criou o Laboratório de Redação, projeto multidisciplinar com o objetivo de melhorar o desempenho de crianças e adolescentes na produção de textos. Segundo a coordenadora, Cristina Helena Ferreira, a proposta é formar estudantes capazes de atender às demandas de escrita dentro e fora da escola. O Laboratório de Redação requer a participação de todos os professores, e não só os que lecionam Língua Portuguesa. "Muitas vezes a garotada estranha quando um professor de Matemática chama a atenção para um erro gramatical ou uma frase mal construída, mas isso ajuda a entender que a escrita nada mais é que um instrumento de comunicação e que, para sermos compreendidos, precisamos usá-lo adequadamente", diz Cristina.
Um trabalho coletivo
Um dos objetivos da revisão é levar a garotada a perceber que uma bom texto não nasce pronto. " Analisar o texto na presença do aluno ou fazer um acompanhamento durante a produção permite a ele incorporar sugestoões, reescrever, substituir termos e reorganizar ideias, até obter um bom resultado", explica Regina Scarpa, coordenadora pedagógica do programa Escola que Vale, do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária. Como fazer isso em classes numerosas? "Uma saída é a revisão coletiva", ensina Maria José. Verifique quais os problemas mais freqüentes nas produções da turma e escolha as mais representativas. O exercício se torna mais eficaz se você focalizar um aspecto de cada vez: coesão ou pontuação ou ortografia, por exemplo.
Quer saber mais?
Colégio Marista Arquidiocesano, R. Domingos de Morais, 2565, 04035-000, São Paulo, SP, tel. (0_ _11) 5081-8444

BIBLIOGRAFIA
Cenas de Aquisição da Escrita: O Sujeito e o Trabalho com o Texto, Maria Bernadete Abaurre, Raquel Salek Fiad e Maria Laura T. Mayrink-Sabinson, 204 págs., Ed. Mercado de Letras, tel. (0_ _19) 3241-7514, 23 reais

Diálogo entre o Ensino e a Aprendizagem, Telma Weisz, 136 págs., Ed. Ática, tel. (0_ _11) 3346-3000, 21,50 reais

O Ensino da Linguagem Escrita, Myriam Nemirovsky, 160 págs., Ed. Artmed, tel. 0800 703-3444, 26 reais

INTERNET
No site do Escola que Vale (www.escolaquevale.org.br) você encontra a descrição dos projetos Narrativas literárias e Uma página para o jornal da cidade, que, entre outros objetivos, ensinam os alunos a produzir e revisar textos.

sábado, 23 de abril de 2011

Psiquiatra lança livro para combater o bullying

Estranho o fato de atualmente comentarem sobre o Bullying. Ele sempre existiu. Encarnações, apelidos, chacotas (mofa, zombarias, gracejos, sátiras... Como queiram, ou não queiram). Minha avó, em 1923, aos nove anos, quando chegou de Portugal para o Brasil foi vítima dessas humilhações por parte de professores e colegas de classe. Os colegas apelidaram-na de "Galega" e "Portuga" e puxavam as tranças dela. O dia em que minha avó decidiu revidar e bateu com a lousa (era onde escreviam) num dos colegas, mal-educado e covarde, a professora viu e colocou minha avó num quarto escuro, "da caveira", onde havia um esqueleto que, certamente alguém "orquestrava" e, a partir desse episódio, ela tomou um trauma intransponível de escola. Resultado: a assinatura dela, até hoje, é o polegar que, ainda por cima, teve "panariço".

Eu, por não ter tido reconhecimento de pai em meu registro de nascimento e em minha vida, encarnavam-me com o pomposo nome de "bastarda"; por eu ser emotiva, "chora-bananeira"; por meu nome ser "Terezinha" muitos colegas gritavam "terezinha-úú-quem gritarmaisaltovaiganharumbacalhau"! E por aí...
Será a contemporaneidade e seu caos, o resultado de "bullying"através dos séculos? O próprio Jesus Cristo não terá sido vítima de "bullying"?  Não esqueçamos que o povo de Nazaré rejeitou Jesus... Há tantos exemplos... Deixaram Santo Antônio sozinho e ele pregou aos peixes... Não há, inclusive, um ditado que diz: "santo de casa não faz milagres"? Somos rejeitados até mesmo por aqueles que nos são mais próximos. Isso também e "bullying"(?). Por que há pessoas que sentem prazer em infernizar, ferir, magoar, destruir a vida dos outros? Quem pratica "bullying" é um(a) invejoso(a)?


“Manual Antibullying”, de Gustavo Teixeira, oferece formas de tratar um problema cada vez mais discutido no Brasil

Renata Losso, especial para o iG São Paulo | 23/04/2011
Dentro e fora das escolas, os brasileiros estão cada vez mais atentos às causas e consequências do bullying, principalmente pais e educadores preocupados com filhos e alunos. Neste contexto de interesse crescente, o psiquiatra Gustavo Teixeira decidiu escrever o “Manual Antibullying – Para alunos, pais e professores” (Editora BestSeller). Especialista em infância e adolescência, palestrante internacional sobre questões comportamentais dentro das escolas e professor da Universidade Bridgewater, nos Estados Unidos, ele organizou 20 estratégias para lidar com o bullying, perceber os sintomas das vítimas e agressores e resolver de vez o problema. “O bullying é sinônimo de sofrimento para a vítima e é uma violência que deve ser combatida”, defende.

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De acordo com o especialista, o bullying escolar é definido principalmente pela frequência com que a violência física, verbal ou moral atinge uma criança ou adolescente. Por isso, um programa de combate deve se basear na mesma premissa: a continuidade.

Gustavo afirma que as escolas brasileiras ainda não sabem muito bem como prevenir o problema e os casos são cada vez mais comuns em seu consultório, no Rio de Janeiro. “Estudar e conhecer o bullying são fatores essenciais para uma intervenção eficaz”, afirma. Leia entrevista abaixo.

iG: Por que você resolveu fazer este manual?
Gustavo Teixeira:
 As questões que envolvem o bullying sempre me interessaram. Fiquei muito sensibilizado pela dificuldade de encontrar literatura sobre o assunto no Brasil. Com isso, decidi criar um manual completo para resolver o problema no país baseando-me nos programas antibullying usados em escolas ao redor do mundo. Escrevi um programa voltado para a cultura brasileira, para funcionar em qualquer escola: pequena, grande, pública, particular, de grandes centros urbanos, de cidades menores, de ensino tradicional, ensino liberal.

iG: No que se baseia o programa antibullying?
Gustavo Teixeira:
 Primeiramente devemos saber que, para um programa de prevenção dar certo, ele precisa ser contínuo. Atualmente, são comuns nas escolas as palestras únicas, após a descoberta de um caso de bullying, mas isso não adianta nada. O assunto não pode ser tratado como episódico, os conceitos devem ser aplicados diariamente. Pais e educadores precisam ser capacitados de acordo com as estratégias, a começar pelo que chamamos de psicoeducação, que consiste eminformar sobre o bullying: o que é, o que provoca, quais as causas e consequências, o que de ruim pode acontecer. Depois, a coordenação da escola e os educadores devem se dedicar a falar do assunto, pois é algo que afeta a vida de todos e não deve ser deixado de lado. Do lado dos alunos, a escola pode começar usando uma técnica que chamamos de caixa de recados: os estudantes e até mesmo os professores podem colocar denúncias do comportamento, já que muitas vezes o alvo do bullying tem medo de pedir ajuda.

Também deve haver a supervisão do ambiente escolar. Monitorar recreio é um bom começo, por exemplo. Trabalhar o conceito do bullying com os alunos também é importante, falando sempre sobre ética, respeito, moral, sobre as diferenças de cada um. É função da escola e, como os alvos do problema costumam ser mais tímidos e retraídos, motivá-los e fortalecer a autoestima deles se torna essencial. Isto pode ser feito através do esporte, por exemplo: estimular algo em que a criança que é vítima seja boa. Separar os bullies (crianças praticantes do bullying) em classes diferentes é outro passo a ser dado. Eles normalmente agem em bando.



iG: Então é possível combater e prevenir esse problema nas escolas brasileiras?
Gustavo Teixeira:
 A criação de um programa antibullying é o principal. Apenas isso, se feito de forma contínua, já é capaz de eliminar o problema. Não é algo que vai tomar muito tempo e muito dinheiro, nada disso: é possível aplicar um programa de maneira simples e objetiva. E hoje as escolas brasileiras já demonstram interesse, o que representa o primeiro passo. A informação sobre o assunto já existe há muito tempo, mas como o sistema educacional brasileiro é muito precário, demorou a prestarmos atenção.

iG: Você acredita que o bullying vem se tornando mais recorrente e por isso há mais atenção ao problema atualmente?
Gustavo Teixeira: 
Os estudos mostram que, na verdade, o número de casos não está aumentando, eles apenas estão sendo identificados agora. Os educadores brasileiros demoraram muito para entender o que é o bullying. Na Europa e nos Estados Unidos, o conhecimento do problema existe desde a década de 70.

iG: Qual o papel dos pais neste combate contra o bullying?
Gustavo Teixeira:
 Os pais devem, primeiramente, conhecer o problema: saber o que é, entender que é uma forma de violência muito grave e seus filhos podem estar sendo afetados como vítimas ou autores. Se existe uma relação saudável, de conversa, entre pais e filhos, isso já abre as portas. E assim que houver a identificação do comportamento do filho como vítima ou agressor, procurar a ajuda da escola. O casamento entre pais e escola é importante, ambos devem conversar sobre o problema e manter uma relação próxima e saudável.

iG: Como os pais podem perceber que o filho é uma vítima do bullying?
Gustavo Teixeira: 
Se a criança volta da escola para casa com a roupa e o material rasgado, por exemplo, e esse tipo de situação acontece repetidamente. Se ela tem medo de ir para a escola, se recusa a ir, se fica mais ansiosa no momento que antecede a ida, se fica ansiosa com a hora da saída, por receio de ser agredida. Se ela tem poucos amigos, se tem dificuldade para fazer amizade, se não é convidada para festinhas de aniversário, se nunca falou de um melhor amigo ou não traz amiguinhos para casa. Se ela anda muito triste, com queda no rendimento escolar, desejando abandonar os estudos. Há uma série de sinais de alerta que devem ser levados em consideração. Afinal, casos graves de bullying podem levar a criança a sofrer casos graves de depressão e até mesmo a tentar o suicídio.

iG: E no caso do agressor, como os pais podem perceber?
Gustavo Teixeira:
 Se a criança costuma se posicionar de maneira desafiadora, agressiva e de domínio, se há relatos de brigas repetitivas na escola, se ela tem um comportamento mais hostil sobre outras crianças e costuma denegrir a imagem de outras crianças verbalmente, por exemplo. Estes são alguns sinais de alerta (leia outras recomendações para lidar com um filho que pratica bullying).


Foto: ReproduçãoAmpliar
Capa do "Manual Antibullying", de Gustavo Teixeira
iG: Como os pais podem abordar o assunto com os filhos?
Gustavo Teixeira:
 É preciso que realmente haja uma relação próxima, íntima, entre pais e filhos. Sempre conversar abertamente, identificar as causas de aquela criança estar sendo agressiva ou recebendo agressões, e pedir ajuda para a escola. Tentar buscar soluções com a escola para, assim, ambos passarem às crianças que o bullying não deve ser tolerado, que esse tipo de violência não pode existir.

iG: E qual o papel da escola?
Gustavo Teixeira:
 A escola precisa encarar o problema de frente, junto com a família. É um absurdo se a escola disser que as agressões aos alunos não ocorrem lá dentro, por exemplo. Se uma criança é agredida na saída, a difamação que ela sofre vai acontecer dentro do âmbito escolar, e o rendimento dela irá cair. Enquanto ela estiver na sala de aula já estará ansiosa, preocupada, sem prestar atenção aos professores. Então é responsabilidade da escola sim; é responsabilidade de todos, já que o bullying está em todos os lugares. E pais e educadores devem andar juntos neste combate.

iG: Qual a influência da internet nas ocorrências de bullying?
Gustavo Teixeira: 
De acordo com um estudo publicado na revista da Academia Americana de Pediatria em 2006, houve um aumento de 50% nos casos de cyberbullying desde 2001. Então o problema está muito relacionado ao acesso à internet e a páginas de relacionamento, em que perfis podem ser criados para denegrir a imagem de outras crianças e adolescentes, permitindo o anonimato: o autor pode se esconder atrás de uma falsa identidade para agredir.

iG: É possível reverter as consequências do bullying na vida das crianças envolvidas com o problema? Quais são essas consequências?
Gustavo Teixeira: 
As marcas do bullying podem ser para a vida inteira se nada for feito. Por isso a intervenção precoce é necessária: para que os prejuízos não sejam grandes. Se isso não ocorrer, a criança que é agredida pode apresentar sintomas de estresse, insegurança, medo, problemas de autoestima e pode acabar se isolando. Além disso, pode apresentar desinteresse pelos estudos, sofrer reprovação escolar e atingir quadros de ansiedade graves, fobias e depressão, chegando até mesmo a tentar o suicídio. Do lado do agressor, muitos deles podem ter problemas com a justiça, cair na criminalidade, ter problemas com álcool. Além de continuarem sendo agressores durante a faculdade, no ambiente de trabalho. São pessoas com problemas graves de comportamento também, por isso interferir precocemente é a melhor saída. É possível dar a volta por cima.


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