Introdução

Mãe de 3 filhos (Rodrigo, Philippe e Fernanda), avó (quatro netas: Eduarda, Mirela, Luna e Laura), Supervisora Educacional, Profª aposentada de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira; Pedagoga e Pesquisadora, Graduada em Letras e Pedagogia e Pós-Graduada (Especialista em Língua Portuguesa e Iniciação Teológica); Mestre em Letras e Ciências Humanas. Trabalho muito, estudo bastante, adoro pesquisar, ler boas obras; folhear jornais e revistas, assistir telejornais; viajar, ir ao Shopping, utilizar a Internet. Crio algumas "quadrinhas", gosto de elaborar projetos que não sejam engavetados.

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Notícias

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

iPad sai do forno. E agora? Como ficará o mercado editorial? O que se tem feito?


O tablet da Apple acaba de chegar às mãos dos consumidores com a promessa de revolucionar o setor de tecnologia e reinventar o mercado de livros

Matéria publicada por Bruno Galo na revista ISTOÉ Dinheiro em 2 de abril de 2010


A espera terminou. No sábado 3, o iPad, equipamento eletrônico da Apple que permite acessar a internet, ver vídeos, ouvir músicas, receber e enviar e-mails, organizar fotos, jogar games e ler livros, chegou aos consumidores nos Estados Unidos. Não houve o mesmo frenesi verificado no lançamento do iPhone, quando os clientes formaram filas intermináveis diante das lojas, mas a Apple tem um novo best-seller nas mãos.

As vendas do tablet de Steve Jobs devem chegar a cinco milhões de aparelhos em 2010, segundo as estimativas mais otimistas. E os exageros já começaram. A revista norte-americana Wired, uma das mais influentes do mundo, estampou uma capa dizendo que o iPad vai mudar o mundo.
Certo, por enquanto, é que o iPad, assim como o Kindle, da Amazon, promete reinventar o setor de editoras de livros. De acordo com a consultoria PricewaterhouseCoopers, o faturamento mundial dos livros impressos deve cair de US$ 72,6 bilhões em 2009 para US$ 71,9 bilhões em 2013. As vendas dos livros digitais (e-books) deverão crescer de US$ 1,1 bilhão para US$ 4,1 bilhões no mesmo período. A expectativa é de que o toque de midas de Jobs possa fazer esse número crescer ainda mais.



"O livro digital e a internet não ameaçam as editoras. Elas estão prestes a viver uma nova era de ouro" 

Juergen Boos, diretor da feira do livro da feira do livro Frankfurt 


No Brasil, as editoras têm certeza que o livro eletrônico veio para ficar. Ainda assim, muitas resistem a abraçar a novidade. Eis um rápido retrato de um mercado dividido. De um lado, a Ediouro e a Zahar apostam que 2010 será o ano do livro eletrônico no País. De outro, muitas, como a Record e a Intrínseca, observam, ainda cautelosas, a inevitável ascensão dos e-books.
“Espero um crescimento forte já no segundo semestre deste ano”, disse à DINHEIRO Newton Neto, diretor da Singular, braço da Ediouro dedicado às novas tecnologias, que promete fechar 2010 com a oferta de dez mil títulos no formato digital. “Esse é um caminho sem volta, mas o momento ainda é de muito incerteza”, pondera.


"Esse é um caminho sem volta" Newton Neto, diretor da Editora Singular
 
O presidente da Record, Sérgio Machado, garante que a adaptação da maior editora brasileira será rápida. “Boa parte do nosso catálogo, que passa de seis mil títulos, já está neste formato.” A divisão das editoras reflete uma incerteza mundial. Mas observem o que diz Juergen Boos, diretor da feira de Frankfurt, o principal evento do mundo para o setor editorial. “O livro eletrônico e a internet são uma grande oportunidade, e não uma ameaça às editoras”, afirmou à DINHEIRO. “Na verdade, as editoras estão prestes a viver uma nova era de ouro.”
Apesar das incertezas, as editoras já estão se preparando. “Desde o ano passado, fomos em busca da atualização dos contratos para os livros digitais”, conta Juliana Cirne, porta-voz da Intrínseca, que tem apenas 50 títulos em seu acervo, mas entre eles os sucessos da série Crepúsculo. A medida faz sentido.
O escritor brasileiro Paulo Coelho, por exemplo, que era detentor dos direitos digitais de seus livros, fechou um contrato de exclusividade com a Amazon pelo qual receberá 37,5% do valor de cada livro vendido, quase quatro vezes mais do que um autor costuma receber quando um título seu é vendido em uma livraria tradicional. Outro risco, para as editoras, está na pirataria. Afinal, o compartilhamento gratuito de livros protegidos com direito autoral na rede já é uma realidade.  Apenas entre agosto do ano passado e janeiro de 2010, a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) tirou do ar mais de 15.700 links que permitiam o download ilegal de livros de editoras associadas à entidade. “É como enxugar gelo”, resume Mariana Zahar, diretora-executiva da Zahar.
Até o fim de abril, a editora oferecerá 300 títulos do seu catálogo no formato digital. “Precisamos dar ao consumidor ao menos a opção de comprar o nosso livro da maneira que lhe for mais conveniente.” Assim como o iPod, que revolucionou o mercado de música digital, o iPad chega para balançar as editoras. Quem não se adaptar já sabe o risco que corre. 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A função social do "puxa-saco"

http://malvados.files.wordpress.com/2010/12/puxadahmer1.jpg

Conselheiros de educação farão curso a distância sobre controle social

Conselheiros de educação farão curso a distância sobre controle social

Para ser a potência que sonhamos, foco deve ser educação

RANKING DE ESCOLARIDADE


O Brasil ficou em 53º lugar, em uma lista de 65 países, no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Mesmo melhorando em relação a ele mesmo, está tão atrasado que não consegue passar os outros países. É um número horroroso. Chile e Uruguai sempre foram destaques na América Latina em escolaridade e investimento em educação, mas o Brasil está muito atrás.
Com esse ranking da educação brasileira, não seremos a potência que sonhamos ser, não tem jeito. Hoje, esse é o maior desafio econômico, temos de avançar.
O Brasil já cometeu muitos erros nessa área. É uma tarefa de todos nós, o grande desafio do século XXI. Ou avançamos em educação ou perdemos o projeto de país.

Desenho Aquarela do Brasil

É possível o Brasil crescer sem educar?


Se 20% da população com menos de 15 anos é analfabeta funcional, o pais corre sério risco de se tornar “uma potência de semiletrados”
Publicado em 11/09/2010 | BRENO BALDRATI
Pesquisas internacionais indicam, consistentemente, que de todos os fatores que influenciam o desempenho da educação, o mais importante para o futuro de uma criança é a formação dos pais. Se os meninos e as meninas de ho­­je não se tornarem pais educados – e os dados disponíveis mostram que a situação vai muito mal – o Brasil está fadado a continuar a dormir o sono dos gigantes.
Muito se falou sobre o crescimento econômico do país no go­­verno Lula, mas tudo indica que, por enquanto, o Brasil caminha para ser uma “potência de semiletrados”, nas palavras do economista Gustavo Ioschpe.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada na última quarta-feira, mostra que um em cada cinco brasileiros de 15 anos ou mais (20,3% do total) é analfabeto funcional – com menos de quatro anos de estudo.
No último teste do Pisa (sigla, em inglês, para Programa Internacional de Avaliação de Alunos), feito pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), os brasileiros ficaram na rabeira. Em matemática, o país ficou na 53.ª posição, entre 57 países. Em leitura, em 48.º, e em ciência, na 52.ª posição.
Desde que universalizou o acesso ao ensino fundamental, o país sofre para conseguir melhorar aqualidade da educação. Um ano na quarta série no Brasil ainda é bastante diferente de um ano na mesma série nos Estados Unidos, por exemplo.
De acordo com o teste do Pisa, um brasileiro de 15 anos tem a mesma habilidade de leitura que um finlandês de 9 anos. A comparação pode parecer injusta, porque a Finlândia é uma das primeiras no ranking, mas o Brasil também está atrás de outros países em desenvolvimento, como China, Chile, Uruguai e México.
Economistas já se debruçaram sobre a relação entre educação e desenvolvimento. Que ela existe, não há dúvida, mas em que medida elas são interdependentes? O cenário ideal indica que as duas forças se reforçam mutuamente.
Mais rico, um país pode gastar mais em educação e ficar ainda mais rico. Mas, se ao crescer economicamente, o país não investir na formação de sua população, seu desenvolvimento será limitado e insustentável, tendendo a regredir.
E o que o Brasil precisa fazer para melhorar a qualidade do seu sistema educacional? O que ninguém discute é que, se há que se priorizar algo por conta de restrições orçamentárias, o melhor é focar na educação dos primeiros anos. A fase inicial é determinante, porque é nela que a criança desenvolve as habilidades cognitivas e emocionais. Aprender quando mais velho é possível, claro, mas complicado. Muito do futuro de um estudante está ligado ao começo de sua vida escolar.
Nesse sentido, o Brasil investe muito mal. Um aluno do ensino superior recebe dos cofres públicos um investimento dez vezes maior do que o recebido pelo aluno do ensino fundamental. A julgar pelo perfil econômico dos alunos das universidades públicas, boa parte dos quais egressos do sistema particular de ensino, há uma alocação equivocada de recursos por parte do Estado ao longo do sistema educacional, o que acaba por gerar a distorção bem conhecida: quem fez oensino fundamental na escola pública tem menos chance de ingressar nas universidades federais e estaduais.
Outro ponto fundamental é melhorar a qualificação dos professores. Uma maneira de conseguir isso é criar incentivos para que os próprios professores se interessem em buscar qualificação. A política de atrelar incentivos e bonificações àqueles que conseguem os melhores resultados pode ser um caminho.
Nos Estados Unidos, todos os estados dispõem de algum tipo de política que valoriza o professor por seu desempenho.
Mas esse tipo de política só faz sentido quando a escola tem os recursos mínimos para desempenhar seu papel. Se as crianças estão indo para a escola mal-alimentadas ou doentes, é claro que elas terão mais dificuldades. Se o quadro negro e as carteiras estão quebrados, a atenção do aluno se dispersa.
Três políticas
Eric Hanushek e Ludger Wößmann, economistas do Banco Mundial, estudam há anos a relação entre desenvolvimento e educação. Numa pesquisa intitulada “O Papel da Educação de Qualidadeno Desenvolvimento”, de 2007, eles sugerem três caminhos para a melhora do sistema educacional.
“A chave pode estar nos incentivos – incentivos que levem à gestão focada na performance do aluno e que promova escolas com professores de alta qualidade. Para isso, três políticas vêm à frente: a promoção de maior concorrência, de modo que a demanda dos pais crie fortes incentivos para as escolas; autonomia na to­­mada de decisão local, para que as escolas e seus diretores to­­mem ações para promover o aproveitamento do aluno; e um sistema que identifique o bom desempenho das escolas e conduza a re­­com­­pensas baseadas nesses desempenhos”, diz a pesquisa.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Renato Janine: família e escola devem cooperar entre si

Renato Janine: família e escola devem cooperar entre si

DECLARAÇÃO LIVRE DOS DIREITOS DAS PESSOAS DESOBRIGADAS DA FELICIDADE CONSTANTE

DECLARAÇÃO LIVRE DOS DIREITOS DAS PESSOAS DESOBRIGADAS DA FELICIDADE CONSTANTE

I - Toda pessoa tem o direito de errar, mesmo que já tenham explicado a ela mil vezes o certo sem que ela tenha entendido, pois o tempo de compreender e aprender é de cada um. 

II - Toda pessoa tem o direito de mudar de idéia, de se contradizer, de voltar atrás, de recomeçar, pois a melhor coisa da vida é mudar, principalmente nas coisas que a gente pensava serem imutáveis. 

III - Toda pessoa tem o direito de chorar, de sentir dor, de soluçar e de ficar com ar melancólico, pois o riso, muitas vezes, é falso, enganador e insano. 

IV - Toda pessoa tem o direito de fazer silêncio, de calar, de não responder, de ficar quieta e não sair tagarelando, pois no silêncio estão as melhores respostas. 

V - Toda pessoa tem o direito de se cansar e de ficar doente, pois o corpo, muito mais sábio que a mente, não é de ferro e sabe sinalizar a hora de parar. 

VI - Toda pessoa tem o direito de enraivecer, de xingar, de esmurrar as paredes, de jogar coisas no chão, de gritar. Pois, como disse aquele poeta, tem coisas que só o grito consegue dizer. 

VII - Toda pessoa tem o direito de perder, pois só quem perde sabe o quão inesquecível e instrutiva pode ser uma derrota. 

VIII - Toda pessoa tem o direito de se dar mal nos negócios, de não conseguir lidar com dinheiro, de não querer ser rico, pois quem tem muito normalmente esquece 
como é viver com pouco. 

IX - Toda pessoa tem o direito de ter medo, pois o medo é um bom anjo da guarda. 

X - Toda pessoa tem o direito de duvidar, de perder a fé e de achar que tudo vai dar errado, pois às vezes, tudo dá errado mesmo, e não é culpa de ninguém. 

XI - Toda pessoa tem o direito de não saber, pois quem já sabe tudo perde o motivo de viver. 

XII - Toda pessoa tem o direito de falar bobagem, pois nem sempre é legal ser inteligente. 

XIII - Toda pessoa tem o direito de se esconder, pois todo refúgio é recuperador. 

XIV - Toda pessoa tem o direito de se achar o camarada mais ferrado do mundo, pois o problema de cada um é o pior do mundo para cada um. 

XV - Toda pessoa tem o direito de reclamar, pois externar o descontentamento ajuda a gente a pensar sobre ele. 

XVI - Toda pessoa tem o direito de desperdiçar uma boa chance, pois mesmo as boas chances, muitas vezes, não chegam em boas horas. 

XVII - Toda pessoa tem o direito de não ser feliz incondicionalmente o tempo todo, pois a infelicidade faz parte da vida. E é mais feliz quem sabe lidar com ela do que quem a ignora.

Observação: Diante de tantos direitos, fica estabelecido para a pessoa o dever de preservar os outros de suas más fases, evitando o desrespeito, a agressão e a impertinência, pois precisaremos dos outros para comemorar conosco quando tudo passar.

domingo, 28 de novembro de 2010

Baião da Penha




Demonstrando a minha fé 
Vou subir a Penha a pé 
Pra fazer uma oração 
Vou pedir à padroeira 
Numa prece verdadeira 
Que proteja o meu baião 
Nossa senhora da Penha 
Minha voz talvez não tenha 
O poder de te exaltar 
Mas dê benção padroeira 
Pra essa gente brasileira 
Que quer paz pra trabalhar 
Penha, Penha 
Eu vim aqui me ajoelhar 
Venha, Venha 
Trazer paz para o meu lar

Luiz Eduardo Soares: A crise no Rio e o pastiche midiático

Luiz Eduardo Soares: A crise no Rio e o pastiche midiático: "Sempre mantive com jornalistas uma relação de respeito e cooperação. Em alguns casos, o contato profissional evoluiu para amizade. Quando a..."

Escolhendo a Pílula Vermelha: Procura-se o professor ideal...

Escolhendo a Pílula Vermelha: Procura-se o professor ideal...: "O Perfil do Professor Ideal - Possui autonomia intelectual- É capaz de estabelecer diálogo crítico com o mundo- Facilita aprendizagem- Int..."

sábado, 27 de novembro de 2010

Luiz Eduardo Soares: A crise no Rio e o pastiche midiático

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Lição de casa - Educar para Crescer

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Na literatura, os anjos são vários, mas são todos humanos - Celebridades - Notícia - VEJA.com

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UMA PEQUENA REFLEXÃO SOBRE A SALA DE AULA


“Toda vez que um segredo é descoberto, refere-se a um outro segredo num movimento progressivo rumo a um segredo final. Entretanto, não pode haver um segredo final.”
(Umberto Eco)

A sala de aula, espaço por todos chamado de minha, é onde nós nos realizamos.
Em um belo dia nela pela primeira vez entramos. Deslumbrados ficamos. O espaço tão sonhado que nos apontava a um mundo novo, a ser conquistado, a ser desnudado.
Avançamos por esse espaço com as lições que ali nos foram ensinadas. As pedras postas no caminho da vida foram, aos poucos, sendo retiradas com as ferramentas que nos deram dentro da sala de aula.
Outras ferramentas buscamos fora da sala de aula.
Admirávamos aquela pessoa meiga que de tudo sabia, a qual aprendemos a chamar de Tia mesmo sem sermos parentes. Depois de Professora pelas lições passadas. Olhávamos a pessoa meiga com o temor de ser castigado, ou de levarmos alguma “encomenda” direcionada a nossa mãe. Geralmente um pequeno pedaço de papel contendo o que havíamos feito naquela manhã ou tarde. Não sabíamos se era pior carregar o bilhete, escondê-lo, ou cumprir com a obrigação de entregá-lo a Mamãe arcando com as conseqüências do escrito.
Passavam os anos e nós passávamos de ano. Que felicidade. Estávamos na série seguinte. Sentíamos-nos adultos. Homens feitos.
Passavam as férias, viam as aulas.
Lá estávamos nós de volta ao nosso espaço: a sala de aula. Diferente este ano! Não havia em sua parede aqueles cartazes feitos por nós no ano que havia findo. Pelo contrário, eram paredes secas. Não tínhamos mais a professora meiga e o medo do castigo, ou do bilhete. Havia um monte de medos sem bilhetes: eram vários professores e professoras. O medo se multiplicava na proporção do aumento da responsabilidade. A cobrança em casa crescia.
Os grupos de amigos continuavam os mesmos, uma perda aqui ou ali sempre recuperada com uma nova contratação para recompor o elenco das brincadeiras. Havia aumentado o número de aulas junto com a quantidade de disciplinas. Haja tempo para estudar e estudar.
Surgiam os primeiros suspiros. Estes vinham acompanhados de grandes sonhos. Eram as fantasias do namoro nascendo em cada um. Logo se suspirava por uma, no ano seguinte por outra, porque a do ano anterior não tinha visto o suspiro, ou o tinha, simplesmente, ignorado.
Ano após ano aquele espaço chamado de sala de aula, agora minha classe, ia se tornando mais sério. Aumentava a idade, junto aumentava a cobrança paterna. Não mais existiam bilhetes para casa, íamos para casa com uma carta......de suspensão. Era na nossa mente a evolução: tínhamos saído do bilhete reclamatório à carta de suspensão. Alguns “evoluíram” demais: haviam recebido a Carta de Expulsão. Por um tempo cessávamos com as brincadeiras. Era o medo de evoluir mais um pouco.
Anos depois, sem que ninguém notasse, havíamos chegado ao 3º ano, do antigo científico, depois 3º ano do Ensino Médio. Deixemos as nomenclaturas de lado. Era a euforia de fazer o vestibular misturado a euforia de ter conquistado aquele suspiro de anos anteriores. O suspiro tinha virado namoro. Mas tínhamos de estudar para por à prova que a Tia, a Professora, os Professores e Professoras haviam feito o dever de classe, nos faltava fazer o de casa. Ou seja, eles e elas tinham nos ensinado. Passar no vestibular era dever nosso. Quem não passou por isso?
Minutos preciosos de televisão, de jogar bola, de namoro, foram trocados por horas a mais a frente dos livros, das apostilas e, agora com supervisão paternal.
Chegara o dia do exame vestibular. Antecedido que foi por um de angústia e uma noite de insônia. Saímos de casa para tentar um novo sonho: entrar em outra sala de aula. A sala de aula da Universidade. Cedo fomos acordados por uma mãe tensa, que na sua meiguice havia preparado algo leve para comermos antes de sair. A roupa passada nos esperava. Não podíamos sair tarde visto não poder chegar atrasado como nos dias de aula. Deixávamos uma família rezando e nos fazendo ter uma responsabilidade ainda maior. A única possível. Passar no vestibular. Claro que seria uma conquista nossa, mas faria todos da casa mais felizes.
Tensos escutamos pelo já antigo rádio, os nomes sendo lidos um a um, em ordem alfabética e por curso, por uma voz que não sabíamos de quem era. Nem chegava o curso para o qual tínhamos feito, nem chegava o nosso nome. Finalmente o locutor (palavra em desuso) falava em nosso curso. Os primeiros nomes aprovados, felicidades para muitos, tristeza para milhares. Festa em nossa casa. Festa na casa dos amigos. Mas havia alguém do grupo a não passar. Era um elo da corrente que ficava na estrada do tempo, que é a estrada da vida.
Choramos junto o ingresso na Universidade. Somente depois percebemos que todo aquele choro de felicidade, aquelas lágrimas de alegria, era a forma que a sala de aula a nos unir durante tanto tempo seria a mesma a nos separar. Havíamos ingressado na Universidade em cursos diferentes. Salas de aula diferentes. Olhamos-nos de repente: estávamos sós no meio de tanta gente. Esse era o sentimento compartilhado pelos velhos amigos de tantas salas de aula. No início do curso ainda conversávamos bastante. Com o tempo a nova sala de aula foi criando novos amigos, enquanto os velhos amigos tinham cada vez menos tempo para conversar. Eram trabalhos, provas, seminários. Eram novos grupos de amigos. A sala de aula do nosso futuro nos obrigava a conversar menos com nossos amigos de sempre.
Como é paradoxal essa sala de aula.
Era chegado o momento de glória da família. Havíamos terminado o curso universitário. Chegara o dia da aula da saudade, da colação de grau, do baile de formatura. Interessante, durante a aula da saudade se falou em saudade dos amigos feitos na Universidade. Não ouvimos falar dos outros amigos feitos na alfabetização.
Havíamos feito cursos na área de educação, mas basicamente licenciaturas.
Agora era chegada a hora de trabalhar. Trabalhar onde mesmo? Numa sala de aula.
Entrávamos em nossa primeira sala de aula como professores. Difícil dizer qual medo foi maior: o frio na barriga do profissional formado ou do menino que chorou para não ficar na sala de aula quando levado pela mãe.
Dilema nunca resolvido.
Mas estávamos realizados. Éramos profissionais. Éramos professores e agora tínhamos a nossa própria sala de aula.
Havíamos evoluído. De ocupantes de uma sala a proprietários de uma só para minha pessoa (e haja redundância para dizer que temos uma sala de aula).
A sala de aula é o espaço do homem. Do homem que se realizou. Pois todos os profissionais percorreram este caminho nestas linhas ditas. E mesmo aqueles que dizem não trabalhar em uma sala de aula – agradecendo a Deus, ainda por cima -, não sabem que vivem o tempo todo na maior sala de aula da alma humana: a vida.
Parabéns por sua existência sala de aula, obrigado por nos ensinar a viver.


Leia mais: http://ateliedehistoria.blogspot.com/2010/11/uma-pequena-reflexao-sobre-sala-de-aula.html#ixzz16UB3tHvF
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terça-feira, 9 de novembro de 2010

domingo, 7 de novembro de 2010

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Che cos'è l'amor

Performance magnífica do ator Bruno Gagliasso!
Lavoro magistrale! Trabalho magistral!
Cuidem-se "fragolinas" {moranguinhas, no contexto da novela)!
Recado para todas as mulheres que preservam sua dignidade:
Cuidado com homens desse tipo, de "olhar de Gato de Botas"!
A música também é um show à parte!


che cos'è l'amor
è un sasso nella scarpa
che punge il passo lento di bolero
con l'amazzone straniera
stringere per finta
un'estranea cavaliera
è il rito di ogni sera
perso al caldo del pois...

O que é amor
é uma pedra no sapato
aguilhões que o ritmo lento de bolero
Amazônia, com exterior
fingimento
estranho cavaleiro
é o ritual todas as noites
perdeu para os pontos quentes...







segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Por que complicar?

"Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome"

Fazem-me morrer de fome...
Tentam apagar meu brilho.
Sentem inveja de mim!
Não era para ser assim.
Cada um com seu "cada um", por favor...
Sinto-me amordaçada, impelida, impedida,
até mesmo de caminhar.
Meu Senhor, com Sua licença,
Deixei-me passar.



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Batalha Medieval

Candura com armadura
Apenas rimam,
mas não se deixam tocar
Espinho com carinho
São outras rimas pobres
Que não combinam com teus ares esnobes
A armadura de tua “grossura” e gélido tato
Aumentam os espinhos em teus braços de aríete
Que fogem ao abraço e a qualquer contato
Que lembre afago
Marcas território de teu poder
Com o teu embargo

Teu jeito amargo
É tua defesa
Mas fere, indefesa, a vítima fatal
Não sabes que agride
O instinto animal?
Suspensa a vírgula
Do vocativo
Faço-te cativo
Transformo em fera
Quem pensavas ferir
No presente e no imperativo
Em compasso de espera.

Que trames

Nasceste para ser faca
Lâmina , dor, mina lá
No interior da alma
Fugidia, visto que sangra
Faca em qualquer metáfora
Metal fora
Sua meta à fora
Fora fora o fora
E dentro fere
Fora fere e fará
Fora tamen
Contudo mutilada
E sem matiz
Que liberdade
É tarde
Para lágrimas
E loas infantis